17/04/2019 às 15h11min - Atualizada em 17/04/2019 às 15h11min

Casa conectada: como a inteligência artificial muda sua relação com a casa

O mundo conectado está passando por uma revolução, dessa vez dentro de casa. Isso vai mudar nosso jeito de viver

revistacasaejardim.globo.com - Julyana Oliveira
(Foto: Thinkstock)
Quando você pensa em uma casa do futuro, o que vem em sua mente? Provavelmente, um ambiente supertecnológico com eletrodomésticos e móveis conectados entre si e o aconchego que um lar deve ter. A grande surpresa é que a projeção imaginada já existe. Em muitos lares dos Estados Unidos, por exemplo, é possível pedir por comando de voz a uma assistente virtual que tranque as portas de casa, ligue o ar-condicionado e informe você das últimas notícias. Em alguns casos, como o da Alexa, desenvolvida pela Amazon e com mais de 100 milhões de unidades vendidas, é provável até que ela avise que as luzes da garagem ficaram acesas.
 
O mercado de automação residencial deverá movimentar até 2020 cerca de US$ 100 bilhões em todo o mundo, de acordo com mapeamentos realizados pela WGSN, agência global de previsão de tendências. A análise também aponta que cada casa poderá conter mais de 500 dispositivos domésticos conectados à Internet das Coisas (IoT, sigla em inglês). O potencial de mercado é promissor. Atualmente, das 63 milhões de residências brasileiras, apenas 300 mil têm alguma automação, segundo a Aureside — Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial —, mas a expectativa é que, em dois anos, a tecnologia chegue a dois milhões de lares. De toda a cartela de serviços que a Inteligência Artificial (IA) oferece, os mais comuns por aqui são: sistemas de iluminação, segurança e automação de cortinas.
 
A tríade popular permite aos usuários controlar suas funcionalidades pelo smartphone, mas o software de gerenciamento já começa a aparecer em outros aparelhos. Na edição de 2019 da CES — Consumer Electronics Show —, em Las Vegas, nos Estados Unidos, a maior feira de tecnologia do mundo, a Samsung anunciou a nova geração do refrigerador Family Hub, que oferece dos serviços mais óbvios para a cozinha, como controle de alimentos, lista de compras e receitas, a previsão do tempo, notícias do dia, acesso a aplicativos como Uber e Spotify e conectividade com outros membros da família, com direito a reconhecimento de voz de cada um. “A novidade deve chegar ainda esse ano ao Brasil”, revela Ilan Kibrit, gerente de produto da divisão de digital appliance da Samsung Brasil.
 
Com tantas funcionalidades, a grande preocupação da indústria é como democratizar o acesso aos consumidores brasileiros. Para atender a demanda, a TCL oferece TV com comando de voz e assistente do Google já na linha de entrada da marca, com preços a partir de R$ 1.299. “Tivemos, no ano passado, um crescimento de dois dígitos na venda desses produtos no Brasil”, revela João Paulo Rezende, gerente de produtos da Semp TCL. Apesar de não contar com a central de automação, a marca oferece aos usuários um possível primeiro contato com a experiência, importante para criar o desejo de consumo. De acordo com a WGSN, os consumidores britânicos só despertaram para o anseio de investir em dispositivos inteligentes após perceber seu uso descomplicado. “Nos outros países, é muito comum o próprio usuário instalar os aparelhos. Aqui no Brasil optamos pela mão de obra especializada, o que encarece o produto”, explica Luiz Roberto Muratori, diretor executivo da Aureside.
 
Ainda assim, no último ano, os custos de instalação caíram 50%. “A partir de R$ 2.500, é possível instalar um sistema que controle iluminação, sensores de porta e cortinas”, aponta Anderson Piche, gerente de produtos e marketing da Somfy Brasil, multinacional francesa de motorização e automação de itens de fachada. Já no mundo dos eletrodomésticos, para criar uma casa conectada é preciso investir em produtos que conversem entre si via Wi-Fi. Para suprir tal necessidade, “até2020, todos os devices da Samsung oferecerão conectividade”, revela Guilherme Campos, gerente de produtos de TV da Samsung Brasil.
 
Com todos os sistemas interligados e uma central de comando única, que promete incluir até os automóveis, a privacidade e a segurança são as maiores preocupações dos consumidores. Em vista dos escândalos de vazamentos de dados de grandes empresas mundiais, a aposta da WGSN é que a confiança dos usuários cresça conforme a IoT ganhe espaço em suas rotinas.
 
Diante das possibilidades de criar casas inteligentes, a próxima demanda de mercado atinge as construtoras que terão de entregar infraestruturas para automação e conectividade. Já é possível comprar apartamentos com entradas USB, tomadas no teto e indicação do melhor ponto para instalar o roteador. “Projetamos uma infraestrutura que facilita a automação da casa” explica Felipe Cunha, diretor de incorporação Living da Cyrela. O empreendimento Living Wish Panamby é um exemplo, com apartamentos de 110 m² que custam em média R$ 764.500. Já a EZTEC classifica os novos atributos como uma demanda da geração millennial e oferece os itens de conectividade em empreendimentos pensados para os nascidos entre os anos 1980 e 2000. Por exemplo, o Fit Casa Brás, no centro de São Paulo, tem apês de até 38 m², com preço a partir de R$ 4.920 por metro quadrado.
 
Independentemente da demanda, a indústria de inovação continua criando novos desejos no consumidor. Durante a CES 2019, a Samsung apresentou o Bot Care, um robô simpático que promete cuidar da saúde da família, emitindo um relatório diário com dados de pressão sanguínea e outros detalhes. A LG trouxe a CLOi, que funciona como assistente no dia a dia. “O desenvolvimento da IA é tamanho que não temos mais aquele comando básico: ‘Ligar TV’. É uma conversa: ‘Ligue aTV, por favor. ’Com reconhecimento de diferentes sotaques”, explica Kati Dias, gerente geral de produtos e vendas de linha branca e ar-condicionado da LG.
 
A casa do futuro já está disponível agora. E o mercado brasileiro deve superar as expectativas dos consumidores nos próximos cinco anos, oferecendo dispositivos inteligentes, de fácil manuseio e a custos cada vez mais baixos graças à acirrada concorrência entre as marcas. Se ainda assim você se pergunta para onde caminha a humanidade, fique de olho na computação quântica, que dá seus primeiros passos, e, acredite ou não, já há projeções de aplicá-la em residências daqui a 20 anos.
 

Bot Care (Foto: Divulgação)
Com 1m de altura, o Bot Care, da Samsung, promete cuidar da saúde da família. Ele mede a pressão sanguínea, a frequência cardíaca e a respiração, além de emitir um relatório do sono dos usuários. Todas as informações podem ser enviadas por e-mail para um contato cadastrado (Foto: Divulgação)
 

Domgy (Foto: Divulgação)
Já imaginou um pet robô? O Domgy, da Roobo, foi desenvolvido para fazer companhia aos moradores, vigiar a casa por meio de sistema de segurança integrado, brincar com as crianças e ainda auxiliar em tarefas do dia a dia (Foto: Divulgação)
 
Ajudantes virtuais
As gigantes de tecnologia já desenvolveram suas assistentes inteligentes, que armazenam os dados de comando na nuvem e os propagam. É dessa maneira que, a cada dia, as máquinas aprendem mais. Mas os devices ainda não estão disponíveis no Brasil.
 

Alexa, a assistente de voz da Amazon (Foto: Divulgação)
Alexa, a assistente de voz da Amazon (Foto: Divulgação)
 

Siri, da Apple (Foto: Divulgação)
Siri, da Apple (Foto: Divulgação)
 

Google Assistente, da Google (Foto: Divulgação)
Google Assistente, da Google (Foto: Divulgação)
 
Um toque de design

Awair (Foto: Divulgação)
Awair, o purificador de ambiente inteligente que analisa e informa a qualidade do ar. Custa US$ 199, no site oficial getawair.com (Foto: Divulgação)
 

OnHub (Foto: Divulgação)
OnHub, roteador do Google, ganhou um site em que artistas criam propostas de design para o produto. Na imagem, o modelo com função de fruteira criado pela ceramista Helen Levi. A peça ainda não está disponível no mercado (Foto: Divulgação)
 

Dual Inverter Artcool (Foto: Divulgação)
Dual Inverter Artcool, o ar-condicionado inteligente da LG, é espelhado e está à venda no Brasil por R$ 3.243, na Fast Shop (Foto: Divulgação)
 
Soluções incríveis

Ori, um móvel que serve de rack, cama, mesa e guarda-roupa (Foto: Divulgação)
Um móvel que serve de rack, cama, mesa e guarda-roupa e funciona basicamente como um origami. Desenvolvido pela Fuseproject em parceria como MIT Media Lab, o Ori é conectado à IoT e aceita comandos de voz como: guardar a cama (Foto: Divulgação)
 

Office 3.0 (Foto: Divulgação)
O Office 3.0, do arquiteto italiano Carlo Ratti, é um escritório totalmente conectado à IoT e personalizável. Cada funcionário tem a sua bolha, que funciona apenas como separação virtual, já que o ambiente é todo integrado. Cada bolha tem o seu controle de temperatura e de luz (Foto: Divulgação)
 

Live OS,  mesa inteligente (Foto: Divulgação)
A Live OS, da Herman Miller, é uma mesa inteligente que armazena dados anônimos no ambiente de trabalho e fornece avaliações de desempenho. Além disso, avisa o funcionário quando é hora de trocar de posição (Foto: Divulgação)
 
  • Preços pesquisados em fevereiro e sujeitos a variação.
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