16/04/2019 às 16h14min - Atualizada em 16/04/2019 às 16h14min

Se casar, não compre um imóvel

descomplique.blogosfera.uol.com.br - Júlia Mendonça
Investidor de Sucesso
Poucas decisões na vida são tão importantes quanto a compra do primeiro imóvel. Ela mexe não só com suas finanças, mas também com seu planejamento familiar e até com sua carreira. Essa compra normalmente é feita em um dos momentos mais instáveis de nossas vidas, logo após o casamento. Afinal, quem casa, quer casa.
 
Apesar de essa decisão parecer bastante segura, ainda mais por ser motivada pela família também, a escolha da casa própria nessa fase de vida pode fazer um buraco no seu bolso, além de trazer outras consequências que irão se estender por anos.
 
Nos anos de 1970 e 1980 as pessoas começaram a sair do campo e vieram para as cidades para trabalhar, e com isso qualquer pedaço de terra ou imóvel se valorizou rapidamente.
 
Já no final dos anos 80 e começo dos anos 90, passamos por um período de hiperinflação em que tudo perdia valor rapidamente, exceto os imóveis. Tudo isso criou uma cultura muito forte, que dura até hoje, de que casa própria é um investimento muito bom, sempre se valoriza e que deve ser prioridade na vida de qualquer pessoa.
 
Olhando para os dias de hoje, vemos que muita coisa mudou: a moeda, a moda e os hábitos. Entretanto, uma ideia se mantém: a compra do imóvel junto com o casamento. A diferença é que hoje as casas estão cada vez menores, e o valor do metro quadrado está muito mais caro.
 
Um casal jovem que está atrás de um lar fica limitado em suas escolhas e acaba comprando uma casa mais afastada e financiada em mais de 20 anos, pois aquela casa perfeita, cheia de cômodos, perto de tudo e em uma vizinhança calma ficou só nos sonhos mesmo.
 
Imagina a cena: você escolheu o imóvel pelo valor que ele custa e não tanto pela sua necessidade. Um tempo depois vieram os filhos, o seu trabalho mudou de local, e é nessa hora que você vai perceber que a sua decisão se transformou em um grande incômodo no dia a dia. Oportunidades de emprego surgirão em outras cidades, em outros estados, e você estará preso no mesmo lugar devido a sua moradia.
 
A vida não é sempre certinha, muito pelo contrário, os dias são cheios de imprevistos, e os financeiros são os mais comuns. Qualquer decisão feita com emoção, e não com a razão, faz com que você entre em um buraco de endividamento e dificilmente vai conseguir sair cedo dele, e claro que isso inclui onde você irá morar.
 
Para evitar uma complicação maior, pensar em um aluguel como primeiro imóvel é bastante interessante. É comum nas grandes cidades esse valor ser menor do que o financiamento e trazer maior flexibilidade também. Precisou mudar? Tranquilo, apenas vai em busca de um novo lugar e faz a mudança. Sua renda diminuiu? Sem problemas, procure algo mais barato que se adapte ao seu orçamento. Gasta muito tempo no trânsito entre casa e trabalho? Mude-se para mais perto e tenha maior liberdade.
 
A casa própria deve vir sim, mas no momento correto, quando você já estiver estável em sua vida pessoal e profissão. Isso significa que já tem sua família formada, o planejamento financeiro bem estruturado e um bom dinheiro guardado para poder dar de entrada na sua casa, pelo menos 50% do valor.
 
Se você trabalha com carteira assinada, lembre-se que pode usar o saldo do FGTS para a compra do imóvel. Se tudo isso está em dia, aí vale a pena você procurar o seu cantinho.
 
Essas metas podem parecer bem distantes para a maioria das pessoas, principalmente para as mais novas que têm uma série de vontades e desejos para realizar na vida, e a educação financeira é a solução para isso.
 
Requer paciência, foco e muito estudo, antes de tomar uma decisão tão cara como a compra do primeiro imóvel na hora errada. Na dúvida, espere!
 
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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