05/08/2022 às 11h58min - Atualizada em 05/08/2022 às 11h58min

Que o mundo arda em Arte

Flávio Mello
Quando eu era criança cresci num mundo cercado por livros, discos e gibis (chamávamos assim - GIBI, depois descobri que também é um nome de um doce – as HQ’s), na realidade, estou falando isso porque ultimamente estou resgatando antigos LP’s, os famosos bolachões, da família, tenho até recebido doações de amigos, e até de desconhecidos, sempre amei ouvir vinil – o som, o encarte e etc... sempre me fascinou.
Infelizmente, no passado, caímos naquele “conto do vigário”, que com o surgimento do CD tudo teria melhor qualidade e por tempo indefinido, com isso, muitas pessoas, como eu, trocaram ou venderam seus LP’s para adquirir à tão sonhada qualidade, que depois de algum tempo percebemos que não era verdade – para se ter uma ideia, eu tenho um LP que foi da rádio tupi... sei lá quantas décadas ele existe, quantas aventuras viveu, e o som ainda é maravilhoso, o encarte está bom, enquanto muitos dos CD’s dessa época de escambo e compra, se deterioram com o tempo.
O fato é que o “mito do CD” caiu por terra e com a vinda do MP3 e afins ele se tornou obsoleto, claro que ainda tenho dezenas de CD’s no meu acervo particular, mas quem manda lá são os Long Play – o LP, o Bolachão.
Fui à Curitiba a trabalho e aproveitei minha ida para conhecer algumas lojas de discos e me senti na Disney – contudo há ai um “porém”, os discos de qualidade, novos ou importados, estão o olho da cara, a parte ruim do negócio, mas para mim faz sentido, e explico – eu torço para que um dia essa onde de pirataria (não que eu nunca me aproveitei dela) acabe e o Artista seja mais valorizado, entende? Pois bem, a prensagem dos LP’s está voltando, e rogo a Deus para que volte com mais força e que as casas voltem a ter as famosas vitrolas, amigos e familiares sentados, confortavelmente, fazendo a audição de um novo disco, ouvindo os dois lados, sem repetir milhares de vezes uma música, curtindo a arte do encarte e socializando as experiências e lembranças. Pois era isso que um K7 e o LP nos proporcionava – comunhão.
Me lembro de quando comparávamos um disco e meus amigos iam em casa e ficávamos de frente ao aparelho, vendo o disco girar, empolgados vendo o K7 sendo gravado, assim conseguíamos dividir o disco e todo mundo levava um pouquinho daquela arte para casa.
Hoje quando chego cansado do trabalho vou a minha biblioteca, abro uma cerveja, me sento de frente a minha coleção de discos, escolho um e o coloco para tocar. Não é raro ver minhas filhas fazendo o mesmo (menos a cerveja, é claro) – a Alice tem 16 e a Bia tem 11 anos... amam e curtem demais essa sensação de ouvir um Vinil... assim como eu quando criança.
Conclusão dessa crônica meio sem sentido, ou pé nem cabeça, ou sei lá mais o quê... precisamos de mais discos, livros, gibis ou HQ’s em nossas casas e fazer com que nossos filhos tenham essas experiências, que socializem e sempre ouçam os dois lados – seja de um disco ou K7, de um história e etc.
Por isso mesmo eu quero mais que o mundo arda em Arte.
Flávio Mello
Professor, Escritor e Diretor de Cultura

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