09/02/2022 às 10h26min - Atualizada em 09/02/2022 às 10h26min

​IPCA: inflação fica em 0,54% janeiro, maior para o mês desde 2016

No acumulado em 12 meses, taxa acelerou para 10,38%, contra os 10,06% registrados em dezembro. Preço do café moído disparou 56,87% nos últimos 12 meses.

Por Darlan Alvarenga, g1
G1
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou 0,54% em janeiro, após ter registrado taxa de 0,73% em dezembro, segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar de ter desacelerado pelo 3º mês seguido frente ao mês anterior, "foi o maior resultado para o mês de janeiro desde 2016 (1,27%)", destacou o IBGE.
O índice de janeiro foi impactado principalmente pela alta dos preços de alimentos (1,11%) e pelo recuo nos transportes, principalmente com a queda nos preços da gasolina (-1,14%), do etanol (-2,84%) e das passagens aéreas (-18,35%)
Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 10,38%, acima dos 10,06% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Apesar da aceleração, a taxa acumulada segue abaixo da registrada nos meses de outubro e novembro.
Em 2021, a inflação oficial foi de 10,06%, sendo a maior alta desde 2015.
A taxa de janeiro de 2022 ficou levemente abaixo da mediana das projeções de 42 instituições financeiras e consultorias, ouvidas pelo Valor Data, de uma expansão de 0,56%.
Veja o resultado para cada um dos grupos pesquisados
Transportes, que possui o maior peso do IPCA, foi o único dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE a ter queda em janeiro.
*Alimentação e bebidas: 1,11%
*Habitação: 0,16%
*Artigos de residência: 1,82%
*Vestuário: 1,07%
*Transportes: -0,11%
*Saúde e cuidados pessoais: 0,36%
*Despesas pessoais: 0,78%
*Educação: 0,25%
*Comunicação: 1,05%
*Café acumula alta de 56,87% em 12 meses
O resultado de janeiro foi influenciado, principalmente, pelo aumentos dos preços do grupo alimentação e bebidas (1,11%), que teve o maior impacto no índice do mês (0,23 ponto percentual).
"Foi a alimentação no domicílio (1,44%) que influenciou essa alta. Mais do que a alimentação fora do domicílio, que desacelerou de 0,98% para 0,25%”, explicou o analista da pesquisa, André Filipe Almeida.
Os principais destaques de alta entre os alimentos foram as carnes (1,32%) e as frutas (3,40%). Além disso, os preços do café moído (4,75%) subiram pelo 11º mês consecutivo, acumulando alta de 56,87% nos últimos 12 meses. Outros destaques foram a cenoura (27,64%), a cebola (12,43%), a batata-inglesa (9,65%) e o tomate (6,21%).
Segundo o IBGE a disparada no preço do café é explicada por geadas que prejudicaram a última safra e por expectativas de menores estoques globais em 2022.
Alívio no preço dos combustíveis
A desaceleração da taxa mensal do IPCA é explicada principalmente pelos custos de transportes, recuou 0,11%, após subir 0,58% em dezembro. Os preços dos combustíveis tiveram queda de 1,23%.
Além da gasolina e do etanol, houve recuo no preço do gás veicular (-0,86%). O óleo diesel (2,38%) foi o único a subir em janeiro. Outros destaques de recuo nos preços foram transportes por aplicativo (-17,96%) e o aluguel de veículo (-3,79%).
Já os preços do gás de botijão (-0,73%) recuaram pela primeira vez após 19 meses consecutivos de alta. Em 12 meses, o botijão ainda acumula alta de 31,78%.
"Não fosse a queda dos combustíveis a alta teria sido maior uma vez que oito dos nove grupos apresentaram alta na margem", destacou o economista-chefe da Necton, André Perfeito.
INPC foi de 0,67% em janeiro
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que calcula a inflação para famílias de menor renda, teve alta de 0,67% em janeiro, abaixo do resultado do mês anterior (0,73%), também maior variação para o mês desde 2016 (1,51%).

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