07/02/2022 às 17h10min - Atualizada em 07/02/2022 às 17h10min

Projeto da UEL avalia Centros Especializados em Reabilitação de pessoas com deficiência

Os CERs são responsáveis por integrar as diversas especialidades em Saúde para pessoas com deficiência. Em Londrina, o projeto é coordenado pelo Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Londrina

- AEN

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) desenvolve um projeto que avalia a produção de redes de cuidado pelos Centros Especializados em Reabilitação (CER), que são responsáveis por integrar as diversas especialidades em Saúde para pessoas com deficiência.  Trata-se de “Análise de implantação da Rede de Cuidados à Saúde das Pessoas com Deficiência: os usuários, trabalhadores e gestores como guia”. 

Em Londrina, o projeto é coordenado pela professora Regina Melchior, do Departamento de Saúde Coletiva – Centro de Ciências da Saúde (CCS). Em nível nacional, é articulado à Rede de Observatórios Microvetoriais de Políticas Públicas e Educação em Saúde, com sede na cidade de Macaé (RJ).

Os membros locais do projeto ocupam-se em avaliar uma unidade do CER na Região Sul do Brasil (por razões de sigilo, não é permitido divulgar o nome das cidades avaliadas). Foram analisados os serviços de saúde em duas cidades, uma que tem o serviço e outra que não dispõe de um CER.

Segundo Regina, uma das principais funções do CER é servir como intermédio entre as diversas especialidades, para que o usuário possa receber o melhor atendimento com celeridade. “No município que não dispõe do serviço, observamos que a rede fica isolada. O usuário sai de uma consulta com um fonoaudiólogo, por exemplo, e muitas vezes não é encaminhado corretamente para outro serviço com rapidez”, explicou. Já no município que tem o serviço, o encaminhamento é mais ágil.

Mesmo com a institucionalização do atendimento específico às pessoas com deficiência – uma das conquistas do processo de reabertura democrática no Brasil, assim como da Reforma Sanitária, nos anos 1970 e 1980 –, muitas vezes essa integração entre as atividades não ocorre. “O que vimos no CER, mesmo com a implantação da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (em 2012) ser recente no Brasil, é uma participação bem importante, militante, dos profissionais pela causa”, observou Regina.

AVALIAÇà– Para avaliar os CERs, os envolvidos no projeto optaram pela metodologia cartográfica. Os usuários do serviço, seus familiares e profissionais são ouvidos e “acompanhados” pelos pesquisadores, que “mapeiam”, como o próprio nome da metodologia indica, os serviços de saúde e sua utilização.

“Partimos do usuário, ou usuário-guia, como chamamos, e seguimos o fio para compreender como ele usa aquele sistema e se compreende nele”, explicou a coordenadora. A participação dos usuários ocorre mediante avaliação do Comitê de Ética da Universidade.

ACOMPANHAMENTO – Integrante do projeto de pesquisa e professora do Departamento de Saúde Coletiva, Thatila da Rocha Marandola acompanhou uma usuária-guia surda durante o processo. Para se ter uma ideia do emprego da metodologia e de como ela funciona, Thalita explicou que teve de ouvir 55 pessoas que, de algum modo, cruzaram o caminho da usuária. “São outros pacientes, familiares, médicos, enfermeiros, gestores do serviço. Após conversar com ela, fui procurando outras pessoas”, disse a professora. 

A principal barreira levantada pela usuária acompanhada durante o processo de atendimento foi a da comunicação. “Muitas vezes, por conta do uso de máscaras na pandemia, a comunicação com os surdos fica prejudicada, pois eles necessitam de leitura labial”, comentou. Thalita é doutoranda no Programa de pós-Graduação em Saúde Coletiva e deve finalizar sua tese, um estudo da produção do cuidado para a pessoa com surdez que faz uso da língua de sinais brasileira, em 2022.


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