13/04/2021 às 16h16min - Atualizada em 13/04/2021 às 16h16min

Babá diz que quando soube das lesões de morte de Henry, 'logo associou às agressões' que Jairinho cometia

Thayná Ferreira disse à polícia que mãe da criança pediu, de forma 'impositiva', que ela mentisse sobre agressões ao menino e brigas do casal. Babá disse ainda que o próprio Henry relatou à mãe, por chamadas de vídeo, as agressões

- Carlos de Lannoy, Felipe Freire, Leslie Leitão, Arthur Guimarães e Marco Antônio Martins
No novo depoimento que prestou à polícia, a babá Thayná Oliveira Ferreira disse que assim que soube das lesões de morte de Henry, "logo associou às agressões" que o vereador Dr. Jairinho cometia contra o menino. Ela admitiu ter mentido na primeira vez que foi ouvida pela polícia por medo do que Jairinho, padrasto de Henry, tinha feito contra a criança e do que poderia acontecer com ela.

Ela diz que se sentiu "intimidada" durante uma conversa com Monique Medeiros, mãe de Henry, que pediu, de forma "impositiva", que Thayná dissesse à polícia que nunca tinha visto ou ouvido nenhuma agressão à criança e que omitisse as brigas que presenciou envolvendo o casal.

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Segundo a babá, a mãe do menino também pediu para que ela apagasse todas as mensagens que trocaram pelo celular sobre as agressões.

Thayná contou à polícia que o encontro com Monique aconteceu alguns dias após a morte do menino, no escritório do advogado do casal, e que foi marcado por Thalita, irmã de Jairinho.

A babá foi ouvida por mais de 7 horas na 16ª DP (Barra da Tijuca). Ela admitiu que sabia das agressões e falou que o próprio menino relatou tudo à mãe por chamadas de vídeo. Ao saber sobre o que Henry havia contado, o vereador Dr. Jairinho teria ficado agressivo.

Ela disse que começou a trabalhar na casa de Monique e Jairinho no dia 18 de janeiro de 2021 e que o casal brigava com frequência.

Falou ainda que presenciou, ao menos, três situações anormais envolvendo a criança, e que ao dar banho em Henry no dia 12 de fevereiro viu que seu joelho estava roxo e que a criança mancava.

Confira alguns trechos do depoimento de Thayná:

No dia 2 de fevereiro, quando Monique estava no futevôlei, o menino começou a chamar pela mãe em seu quarto e Jairinho foi até o seu encontro e o chamou de mimado e o levou para conversar no quarto do casal.

Henry e Jairinho ficaram 30 minutos de portas fechadas, enquanto ela permaneceu no quarto do menino, sem ouvir nenhum barulho. O menino, segundo ela, não parecia ter chorado, mas que quando perguntou o que tinha acontecido, Henry disse apenas que “tinha esquecido e estava com soninho”.

Monique voltou então para casa e Jairinho saiu em seguida. A mãe, segundo a babá, perguntou a ela se ele havia dito ou ouvido algo e falou que iria procurar saber o que tinha acontecido.

Nesse mesmo dia, segundo Thayná, após a escola e já na brinquedoteca do prédio, Henry não quis brincar com as outras crianças e disse que estava com dor no joelho.

A babá falou que não associou a dor no joelho ao episódio, mas disse que relatou o fato à mãe do menino e que esta disse que ele poderia estar inventando.

No dia 12 de fevereiro, Monique saiu por volta das 14h30 para ir à academia e fazer as unhas. Uma hora depois, Jairinho chegou de surpresa em casa. Henry o abraçou e este o chamou dizendo que queria mostrar uma coisa que havia comprado.

Os dois ficaram então trancados no quarto do casal. A babá chamou o menino, mas este não respondeu. Enviou então mensagens à mãe da criança. Que ao sair do quarto, cerca de 10 minutos depois, Henry foi em sua direção e Thayná o pegou no colo.

O menino, segundo ela, ficou “amuadinho”, sem falar nada. Em seguida, o menino reclamou de dor no joelho e disse que tinha levado uma "banda" e chutes de Jairinho e que "toda vez faz isso".

A babá falou que ao relatar o episódio à mãe, esta sugeriu que ela desse um banho no menino para que ele pudesse relaxar. Foi então que viu um roxo no joelho do menino e percebeu que ele estava mancando. Thayná disse ainda que enviou uma foto do joelho do menino para a mãe.

A mãe, então, pediu para falar com Henry por chamada de vídeo e o menino contou sobre as agressões sofridas.

A babá disse que foi orientada por Monique a apagar as mensagens para evitar que Jairinho tivesse acesso ao conteúdo. Ela diz que apagou algumas mensagens, mas não a conversa inteira.

Disse que Jairinho voltou ao apartamento em seguida, visivelmente exaltado, e perguntou à Henry: "O que falou pra sua mãe? Você gosta de ver sua mãe triste com o tio? Você mentiu pra sua mãe?".

O menino, segundo Thayná, respondia acuado que não havia feito nada.

Avó sabia das agressões
No novo depoimento, a babá disse que a avó materna sabia das agressões. Segundo ela, uma vez a mãe de Monique, Rosangela, veio lhe perguntar sobre o que havia acontecido com o neto, e Thayná diz que contou tudo à avó de Henry.

Ela diz que contou a avó que Henry estava mancando, com dor na cabeça e com um roxo, porém não quis insistir muito no assunto, porque ficou com medo de Monique achar que ela estava fazendo "fofoca" para a mãe.

Ainda segundo Thayná, a avó questionou se existiria alguma possibilidade de Henry ter mentido e ela afirmou dizendo que não, até mesmo porque as marcas dos machucados.

Thayná disse ainda que a empregada da casa, Leila Rosângela, a Rose, também mentiu. A polícia sabe que no dia 12 de fevereiro, quando o vereador Dr. Jairinho (expulso do Solidariedade) teria agredido o menino no final da tarde, as duas estavam dentro do apartamento.

Foi naquela tarde que Thayná mandou mensagens para Monique contando o que estava acontecendo e relatando as agressões, reveladas a ela pelo próprio Henry, depois que saiu do quarto de Dr. Jairinho.

No dia seguinte, 13 de fevereiro, Monique levou o filho ao Real D'Or, unidade pediátrica em Bangu, Zona Oeste da cidade.

A polícia quer esclarecer por que não há menção a essa ida ao hospital nos depoimentos de Monique, de Jairinho e da babá.

A morte do menino
O garoto, que tinha 4 anos, chegou morto a um hospital da Zona Oeste do Rio na madrugada de 8 de março, com hemorragia e edemas pelo corpo. A Polícia Civil prendeu Dr. Jairinho e Monique Medeiros, padrasto e mãe de Henry.

O inquérito do caso traz uma cronologia que pode esclarecer alguns fatos que levaram à morte de Henry. Uma dessas dúvidas diz respeito ao ocorrido em 12 de fevereiro, quando a babá de Henry revelou a Monique que Jairinho havia se trancado com menino no quarto.

Naquele dia, o garoto saiu do local machucado e disse que sentia dor na cabeça. Henry também mancava ao caminhar. A babá Thayná Oliveira Ferreira enviou a Monique o vídeo desse momento.

Em 13 de fevereiro, Henry foi levado ao Hospital Real D'Or, em Bangu. Monique relatou que o filho havia caído da cama no dia anterior, por volta das 17h – mesmo horário em que a babá relatava as supostas agressões a Henry.

Henry estava no apartamento onde a mãe morava com o vereador Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, e foi levado por eles ao hospital, onde chegou já sem vida na madrugada de 8 de março;
O casal alegou que o menino sofreu um acidente em casa e que estava "desacordado e com os olhos revirados e sem respirar" quando o encontraram no quarto;
Mas os laudos da necropsia de Henry e da reconstituição no apartamento do casal afastam essa hipótese;
O documento informa que a causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática [no fígado] causada por uma ação contundente [violenta].
A polícia diz que, semanas antes de ser morto, Henry foi torturado por Jairinho. Monique sabia;
Em 8 de abril, Dr. Jairinho e Monique foram presos temporariamente, suspeitos de homicídio duplamente qualificado, de tentar atrapalhar as investigações e ameaçar testemunhas.
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