26/03/2021 às 10h50min - Atualizada em 26/03/2021 às 10h50min

Entenda ponto a ponto a vacina contra a Covid-19 que será produzida pelo Butantan

Vacina vai usar tecnologia semelhante à da CoronaVac e de vacinas contra a gripe. Expectativa é de produção a partir de maio

- G1
O Instituto Butantan, em São Paulo, anunciou, nesta sexta-feira (26), que está desenvolvendo a Butanvac, nova candidata a vacina contra a Covid-19. A vacina é a primeira, contra qualquer doença, a ser desenvolvida completamente no Brasil.

Nesta reportagem, você vai entender, ponto a ponto, alguns detalhes sobre a Butanvac:

Como será a vacina? Qual tecnologia ela vai usar?
Quantas doses a vacina terá?
A vacina será segura?
A vacina vai funcionar contra as novas variantes?
Quando começarão os testes? Quem vai poder se candidatar?
1. Como será a vacina? Qual tecnologia ela vai usar?
A Butanvac será feita com as tecnologias de vírus inativado e de vetor viral. O modo de produção é semelhante ao da vacina da gripe que é produzida pelo Butantan – usando ovos no processo.
Entenda cada parte, explicada pelo diretor Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri:
A plataforma de vírus inativado é a usada nas vacinas da gripe, que tomamos todos os anos, e na CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac e que está sendo envasada no próprio Butantan. Nesse tipo de vacina, o vírus é colocado inteiro dentro da vacina (veja infográfico), mas não é capaz de causar a doença.
Já a tecnologia de vetor viral é usada na vacina de Oxford – que, assim como a CoronaVac, está sendo aplicada no Brasil. Nesse tipo de vacina, um outro vírus, o vírus vetor, é modificado geneticamente para "carregar" uma parte do código genético do coronavírus dentro dele (veja infográfico).
Nas vacinas de vetor viral, nenhum dos dois vírus tem o poder de causar doença. Nenhuma vacina contra o coronavírus pode causar a Covid-19.
A Butanvac vai usar as duas plataformas. Um outro vírus – o da doença de Newcastle, da família do sarampo, neste caso – vai ser modificado geneticamente para "carregar" um pedaço do coronavírus dentro dele. Esse vírus será o vetor.
O pedaço do coronavírus que o vetor vai carregar é o código genético que dá as instruções de como fazer a proteína S. A proteína S é a que o vírus usa para infectar as nossas células.
Esse vírus (da doença de Newcastle + pedaço do coronavírus) será colocado em ovos de galinha. No ovo, as células que estão ali vão "ler as instruções" para fabricar a proteína S e replicar o vírus: ou seja, vão produzi-lo em maior quantidade.
O vírus precisa ser colocado no ovo porque ele não consegue se replicar sozinho, ele precisa das células.
Quando houver vírus em grande quantidade dentro do ovo, esses vírus serão retirados dali, inativados e fragmentados.
Esse vírus inativado e fragmentado é o que vai para a vacina. Esse é o chamado ingrediente farmacêutico ativo (IFA).
Os vírus não poderão causar doença – nem a Covid, nem a doença de Newcastle.
A vacina contra a gripe é feita de forma semelhante a esse processo. A diferença é que, no caso da gripe, o vírus que é colocado dentro do ovo não tem vetor. Esse tipo de produção é seguro e de baixo custo.

2. Quantas doses a vacina terá?
Os pesquisadores ainda não sabem. Existe a chance de que ela seja aplicada em apenas uma dose, mas isso ainda precisa ser testado.

Segundo o diretor do Butantan, Dimas Covas, a vacina é mais imunogênica do que as anteriores. Isso significa que ela tem capacidade de fazer o sistema de defesa do corpo criar defesas de forma mais eficiente contra o coronavírus. Por causa disso, é possível que seja dada em apenas uma dose, mas isso ainda não está determinado.

Hoje, as duas vacinas aplicadas no Brasil para a Covid-19 (CoronaVac e Oxford) são dadas em duas doses.
3. A vacina será segura?
Segundo o anúncio do Butantan, sim. O diretor do instituto, Dimas Covas, disse que o perfil de segurança da vacina é "excelente". "É seguro e é uma tecnologia tradicional", completou o diretor.

4. A vacina vai funcionar contra as novas variantes?
Também de acordo com o anúncio do Butantan, vai. A Butanvac já foi desenvolvida levando em consideração as novas variantes – inclusive a P.1, que foi detectada pela primeira vez em Manaus.

5. Quando começarão os testes? Quem vai poder se candidatar?
Os testes podem começar em abril se a Anvisa autorizar. Ainda não está claro quem vai poder se candidatar.
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