22/03/2021 às 19h38min - Atualizada em 22/03/2021 às 19h38min

Mendes arquiva inquérito que apurava envolvimento de Aécio Neves em corrupção em Furnas

Ministro do STF atendeu pedido da PGR, que não encontrou elementos suficientes para oferecer denúncia contra deputado

- Márcio Falcão e Fernanda Vivas
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento nesta segunda-feira (22) de inquérito que investigava o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) por envolvimento em supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionados ao recebimento de vantagens por empresas contratadas por Furnas Centrais Elétricas S/A.

Gilmar atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em manifestação enviada ao STF, a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo afirmou que as investigações não reuniram elementos contra o deputado.

Em nota, a defesa de Neves disse que o arquivamento demonstra que o deputado foi vítima de "abusos" (leia mais abaixo).

A investigação sobre o parlamentar tucano era um desdobramento da Operação Lava Jato. Aécio foi considerado suspeito de ter recebido propinas, por intermédio do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo, a partir de dinheiro desviado em contratos com empresas terceirizadas.

Assista abaixo ao vídeo em que Aécio Neves comenta as suspeitas contra ele envolvendo a estatal Furnas.

Aécio comenta parte da delação de Delcídio que cita Furnas
Aécio comenta parte da delação de Delcídio que cita Furnas

A PGR cita que, embora tenham sido comprovados “informativos acerca da existência de contas bancárias de titularidade de familiares do parlamentar no exterior, não foi possível comprovar o recebimento de vantagem indevida por Aécio Neves no esquema de Furnas”.

“Desse modo, forçoso reconhecer que a apuração não reuniu até o momento suporte probatório mínimo que ampare o oferecimento de denúncia. Assim, não havendo lastro probatório mínimo para o oferecimento de denúncia com perspectiva de êxito, justifica-se o arquivamento deste inquérito”, escreveu Araújo.


Mendes ressaltou que o caso pode ser reaberto se surgirem novos elementos. “Ante o exposto, acolho o requerimento formulado pela PGR e determino o arquivamento da presente investigação, ressalvada a reabertura em caso de surgimento de novos elementos de prova”, afirmou.

A defesa de Aécio Neves afirmou, em nota, que o deputado foi vítima de abusos e que o arquivamento "não corrige danos causados" a ele.

"O arquivamento feito hoje pelo STF do inquérito sobre Furnas, a pedido da própria PGR, é mais uma demonstração dos abusos de que o hoje Deputado Aécio Neves foi vítima. Depois de 4 anos de investigações, a própria PGR concluiu que não há provas contra o Deputado. Não há provas porque nunca houve crime", diz a nota.

"Infelizmente, isso não impediu os vazamentos parciais e ilegais feitos por aqueles que, à época, deveriam zelar pela correta condução do inquérito e, consequentemente, a enorme exploração midiática e política do caso. Esse é mais um alerta para abusos que em passado recente foram cometidos. Lamentavelmente, a correta decisão da PGR de hoje não corrige os danos causados", afirmou a defesa.
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