20/10/2020 às 16h00min - Atualizada em 20/10/2020 às 16h00min

Gelprime investirá R$ 300 milhões em complexo industrial no Paraná

Investimento conta com apoio do Governo do Estado, por meio de um programa de tratamento tributário diferenciado. Empresa produzirá colágeno hidrolisado e gelatina para as indústrias farmacêutica e alimentícia. Serão gerados 350 empregos diretos, além de inúmeros indiretos ligados à logística e insumos

- AEN

A Gelprime, empresa do grupo Vancouros, anunciou nesta terça-feira (20) um investimento de cerca de R$ 300 milhões em um complexo industrial em Ibiporã, no Norte do Paraná. Serão gerados 350 empregos diretos, além de inúmeros indiretos ligados à logística e insumos. A companhia produzirá nessa planta colágeno hidrolisado e gelatina para as indústrias farmacêutica e alimentícia.

O investimento conta com apoio do Governo do Estado, por meio de um programa de tratamento tributário diferenciado. A assinatura do acordo com a Secretaria da Fazenda aconteceu no Palácio Iguaçu e contou com a participação do governador Carlos Massa Ratinho Junior e do presidente da empresa, Edson Vanzella Pereira de Souza.

O aporte está dividido em duas etapas. A primeira prevê investimento de R$ 186,8 milhões para produzir gelatina, fase que deve gerar 150 empregos diretos e que foi aprovada no protocolo de adesão com apoio do Estado. O barracão começou a ser construído em abril deste ano, com previsão de inauguração para novembro de 2021.

Em seguida a Gelprime começará a construção da fábrica de colágeno para atender as indústrias farmacêuticas brasileiras e globais. A estratégia é aproveitar melhor os subprodutos da indústria do couro bovino, como raspas, aparas e recortes, fechando a cadeia produtiva de forma sustentável, sem descartes.

PRIORIDADES - O governador disse que esse investimento atende algumas das prioridades estaduais na economia, como atração de indústrias de transformação, geração de empregos qualificados no Interior e potencial de desenvolvimento de novos negócios.

“Nosso maior objetivo é gerar empregos. Isso melhora a vida das pessoas de maneira automática. E a Gelprime vai chegar em produtos finais com alta tecnologia, muita pesquisa e ciência por trás. Vai pegar uma matéria-prima bruta e transformar em produtos com altos valores agregados”, afirmou Ratinho Junior. “É a indústria de transformação que queremos”.

O governador também destacou que o Paraná vem do maior crescimento industrial do País em 2019, com indicativo de recuperação desses números em 2020, e de três meses com saldo positivo na geração de empregos: junho teve resultado de 2.447 novas vagas; julho de 8.833; e agosto de 17.061.

Ratinho Junior citou a rapidez da Junta Comercial para abertura de novas empresas, o apoio aos pequenos produtores para vender seus produtos fora das divisas do Estado e o trabalho desenvolvido pela Invest Paraná, uma das melhores agências de atração de negócios da América Latina, como motivos para atrair esses negócios.

“O objetivo é ampliar os investimentos no Estado de maneira estratégica. A região Norte tem crescido muito. Londrina, Cambé, Rolândia, Ibiporã e Arapongas têm uma grande estrutura para atender as necessidades dos investidores. Queremos apoiar esse crescimento levando mais infraestrutura e desenvolvimento social”, acrescentou Ratinho Junior.

Segundo o diretor-presidente da Invest Paraná, Eduardo Bekin, a expectativa é pela atração de novas empresas na região a partir desse investimento de R$ 300 milhões. “É uma empresa de ponta, que gera emprego qualificado, e junto com ela trabalhamos a cadeia produtiva. As empresas que trabalham no entorno vêm junto com um aporte desse tamanho. Hoje trabalhamos buscando empregos de qualidade para gerar mais rentabilidade para os paranaenses”, destacou.

PROJETO – A empresa Gelprime pertence ao grupo Vancouros, tradicional no ramo de curtimento de couros no País. É uma companhia de origem paranaense e que emprega atualmente 1,4 mil pessoas no Estado, com previsão de alcançar 2,1 mil com os 350 empregos desse novo complexo e as 400 contratações na planta de manuseio do couro para revestimento de bancos de automóveis, móveis e calçados em Rolândia.

A primeira fábrica terá capacidade para produzir 7 mil toneladas de gelatina por mês. A segunda etapa, da transformação em colágeno, que é um produto com mais tecnologia agregada, vai atingir um mercado em alta no Brasil e no mundo. A empresa desenvolveu um sistema para romper o colágeno da gelatina para atender as necessidades de absorção do corpo humano. O colágeno hidrolisado é um suplemento alimentar extraído da cartilagem bovina que proporciona firmeza e elasticidade à pele, combatendo o envelhecimento e a flacidez.

“Queremos trabalhar com o couro do frigorífico até a ponta final, tornando a cadeia toda sustentável. O couro tem várias utilidades, dos revestimentos dos bancos de automóveis a componentes de lubrificantes de brocas para perfuração de poços de petróleo. E um deles é a proteína. Nossa estratégia nesse momento é migrar parte da produção para esse foco para atender um mercado que cresce vertiginosamente”, afirmou Edson Vanzella.

Entre as prioridades da empresa estão atender o mercado de gelatinas para remédios/comprimidos, o que facilita a digestão, e a venda para gigantes da alimentação, como a Nestlé Kraft, Heinz e Pepsico.

O projeto começou a sair do papel há quase dois anos, quando a empresa procurou o Paraná e várias outras unidades da federação com o objetivo de implantar o complexo industrial. Na época, o Governo do Estado deu aval para o negócio, se comprometendo a ajustar os termos do investimento ao longo do processo de construção. “Quando começamos o projeto não tínhamos tempo para esperar as negociações. O governador nos deu a palavra e apostamos nessa garantia. Isso nos ajuda a acreditar cada vez mais no Estado”, complementou o presidente da empresa.

REGIÃO – Nos últimos meses a região de Londrina assistiu diversos anúncios de investimentos importantes para o Paraná, como o novo frigorífico da Lar em Rolândia (1,9 mil empregos), uma indústria de alimentos e um novo Centro de Distribuição do Grupo Muffato em Cambé (1,5 mil empregos) e a fábrica de elevadores e escadas rolantes Atlas Schindler em Londrina (mil empregos). Também faz parte dessas conquistas a nova Cidade Industrial de Londrina, complexo de 90 loteamentos que recebeu R$ 23,9 milhões de investimento do Estado.

“A gestão estadual tem focado na descentralização da indústria. Quem ganha é a população. Estamos preparando a infraestrutura para atrair esses negócios, o que fortalece a Região Metropolitana de Londrina e a própria cidade. Quando a empresa faz a sondagem do investimento, ela leva esses fatores em consideração”, arrematou a coordenadora regional de Londrina da Casa Civil, Sandra Moya. “A região Norte tem trabalhado muito para atrair empresas com esse porte”.

Ao todo, mais de 20 empresas ou indústrias estão se instalando ou em fase de ampliação em Ibiporã, segundo a prefeitura. A expectativa para os próximos meses é de que pelo menos 1,2 mil novos empregos sejam gerados no curto prazo. O setor industrial representa 20,3% do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade.

PRESENÇAS – Estiveram presentes na assinatura o vice-governador Darci Piana; o diretor de Operações do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Wilson Bley Lipsi; o diretor-presidente da Compagás, Rafael Lamastra; os deputados estaduais Tercílio Turini, Cobra Repórter e Evandro Araújo; o diretor de Assuntos Econômico-Tributários da Secretaria da Fazenda, Gilberto Calixto; e os diretores do grupo Vinicius Vanzella (administrativo), Maurício Leite (vendas) e Elson Martins (industrial).

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