24/09/2020 às 13h18min - Atualizada em 24/09/2020 às 13h17min

Witzel declara que enfrenta processo de impeachment de 'cabeça erguida'

Isabelle Villas Boas - jornalcn.com.br
Ofluminense
Marcelo Camargo

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel se pronunciou através de uma rede social, na manhã desta quinta-feira (24), após a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovar de forma unânime, por 69 votos a favor e nenhum contra, o relatório que pede seu impeachment.

Witzel declarou que enfrenta o processo de "cabeça erguida" e que irá provar sua inocência.

"Enfrento esse processo de impeachment de cabeça erguida porque nunca compactuei com a corrupção em toda a minha vida. Provarei minha inocência mesmo sofrendo um linchamento moral e político a partir da palavra, sem provas, de delatores, ou seja, de bandidos confessos", disse.

Para Witzel, a decisão dos deputados mata a democracia. O projeto precisava de um mínimo de 47 votos para ser aprovado.

"Afastar um governador do mandato da forma como fazem comigo hoje é matar a democracia. Quem serão os próximos? A escolha será do Ministério Público, com suas teorias especulativas que vendem jornais. MP e Judiciário devem estar distantes do debate político. O MP não pode ditar políticas públicas nem decidir quem deve ou não exercer a função outorgada pelo voto popular. Se as casas políticas não reagirem, seremos todos governados por liminares e por especulações", continuou.

Wilson Witzel afirmou que os votos que recebeu não podem ser anulados e questionou porque não pôde se defender das citações nas delações de Edmar Santos e Edson Torres.

"Os mais de 4,6 milhões de votos que os fluminenses me deram não podem ser anulados por alegações criminais que sequer foram objeto de denúncia recebida. Enquanto isso, os delatores estão em liberdade e usufruindo do produto dos seus crimes, rindo do povo. Tudo com a benção do MPF. Porque não se aguardar a minha defesa ser ouvida no STJ, oportunidade que ainda não tive, para mostrar os absurdos da delação dos réus confessos Edmar Santos e Edson Torres?", indagou.

O governador afastado disse ainda que a Alerj está cometendo um grande erro.

"O estrago na minha imagem política foi feito. E, infelizmente, a Alerj, pressionada pelas redes sociais, está cometendo um grande erro, cuja História há de demonstrar", finalizou.

A resolução do processo de impeachment foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (24). Agora, o Tribunal de Justiça (TJ) dará início à formação do Tribunal Misto, que será formado por cinco deputados eleitos pela Alerj e cinco desembargadores eleitos por sorteio pelo TJ. A partir disso, o tribunal misto nomeia o relator. Logo após, Witzel é notificado e tem 15 dias para se defender. Após apresentação da defesa, relator vota se é contra ou a favor da instauração do processo. Com isso, a comissão Comissão tem até 180 dias para conclusão sobre o pedido de impeachment. Prazo estimado para conclusão é de 120 dias.

Processo 

O início do processo de impeachment de Witzel foi aprovado em 10 de junho, por 69 deputados, de um total de 70 parlamentares . Ele é suspeito de envolvimento em compras fraudulentas e superfaturadas de equipamentos e insumos para o combate à pandemia de covid-19.

Witzel foi alvo, no dia 26 de maio, da Operação Placebo, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que investiga corrupção na compra de equipamentos e insumos para o combate à pandemia no estado. Além dele, também foram alvos a primeira dama, Helena Witzel, a empresa Iabas, que presta serviços de saúde, e outras pessoas. Os policiais federais chegaram a realizar buscas no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, e na casa da família Witzel, no bairro do Grajaú.

Dias antes, o seu então secretário de Saúde, Edmar Santos, já havia sido afastado do governo, por acusações de desvios na pasta, em favor de grupos empresariais, com o recebimento de propinas .

Witzel foi afastado do poder, por 180 dias, no dia 28 de agosto, no âmbito da Operação Tris in Idem, um desdobramento da Operação Placebo, que investiga atos de corrupção em contratos públicos do governo do Rio de Janeiro. A ação foi autorizada pelo ministro do STJ Benedito Gonçalves.

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