20/05/2020 às 12h33min - Atualizada em 20/05/2020 às 12h33min

Witzel promete investigação até que culpados sejam responsabilizados por morte de João Pedro

Vitor D avila
Ofluminense

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, se pronunciou, na noite de terça-feira (19), sobre a morte do adolescente João Pedro Matos Pinto, de 14 anos. Por meio de suas redes sociais, Witzel prometeu investigação até que os culpados pelo crime sejam responsabilizados.

Na publicação, o governador ainda lamentou a morte do menino e se solidarizou com a família. Veja, a seguir, a fala de Wilson Witzel:

"Lamento profundamente a morte do adolescente João Pedro. A operação da Polícia Federal, que teve o apoio da Polícia Civil, precisa ser apurada. Vamos investigar até que os culpados sejam responsabilizados. Meus sentimentos à família. Sou pai e entendo essa dor", disse.

#ProcuraseJoãoPedro

Enquanto procuravam por notícias do paradeiro de João Pedro, familiares e amigos subiram a hashtag #ProcuraseJoãoPedro nas redes sociais. Várias pessoas se sensibilizaram com o drama da família e ajudaram a divulgar o desaparecimento do garoto. O assunto, na manhã de terça, chegou primeiro lugar nos tassuntos em destaque do Twitter no Brasil. Após a confirmação da morte, as mensagens passaram a receber um tom de revolta.

"Presto aqui, minha solidariedade à família do João Pedro e deixo meu apelo para que não deixemos de pedir justiça. Cobrem, falem, não deixem que se esqueçam de João Pedro e de tantos outros jovens negros assassinados no Brasil. Eu acabei de ver o depoimento do pai do João Pedro, e é revoltante! Quantas pessoas vão ter que morrer para nosso Estado entender que essa conta não fecha?", publicou o ator Babu Santana.

"João Pedro brincava em casa quando foi baleado. Levado pelo Estado, sua família ficou até agora de manhã sem notícias, quando seu corpo foi encontrado no IML. Mais um jovem negro assassinado. Até quando vamos continuar perdendo os João Pedros deste país?", disse a atria Taís Araújo, por meio de suas redes sociais.

O Caso

João Pedro morreu após ser baleado, na tarde de segunda-feira (18), durante operação da Polícia Federal, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, na região da Praia da Luz, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. A família atribui aos policiais a responsabilidade pela morte.

"Foram essas duas polícias [Federal e Civil] que destruíram minha vida. [Eu quero] Justiça. Senhor governador, é essa a polícia que o senhor quer pro nosso estado? Matar inocente? Mataram um jovem de 14 anos com um futuro brilhante pela frente, com a intenção de crescer", disse Neilton Costa Pinto, pai do adolescente.

Após ser baleado, o jovem foi socorrido de helicóptero pelos policiais e nenhum responsável foi autorizado a acompanhar o atendimento, e ficaram sem notícias até encontrarem o corpo do jovem no IML de São Gonçalo, na manhã de terça-feira.

As Polícias Civil e Federal afirmaramque jovem ferido na ação foi socorrido de helicóptero. Médicos do Corpo de Bombeiros prestaram atendimento, mas ele não resistiu aos ferimentos. O corpo foi encaminhado para o IML de São Gonçalo. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) informou que já instaurou inquérito para a apurar as circunstâncias que levaram à morte do adolescente. A Polícia Federal acompanhará e prestará todas as informações e apoio necessário à elucidação dos fatos.

O Corpo de Bombeiros informou que fez o atendimento na base do Grupamento de Operações Aéreas (GOA), na Lagoa, Zona Sul do Rio de Janeiro, para onde a vítima foi levada por uma aeronave da Polícia Civil na tarde de segunda-feira. Os militares constataram o óbito. O corpo foi removido para o IML de São Gonçalo pelo rabecão da Defesa Civil estadual, após acionamento por parte da Delegacia de Polícia.

A Secretaria de Estado de Vitimados (Sevit) informou que a equipe de Assistência Social entrou em contato, na noite de segunda-feira, por volta de 21h, com um tio de João Pedro Mattos, para informar que o corpo estava no Instituto Médico Legal (IML). A Sevit ressalta que ofereceu atendimento social, psicológico e encaminhamento para a gratuidade de sepultamento. A pasta segue à disposição da família do jovem e irá realizar um novo contato.

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